28 de dezembro de 2017 às 11:18

A iminência do nascimento de Cristo e o Natal

Na promessa (Gn 3.15), a guerra é prometida, mas a vitória também é decretada: O Messias triunfaria sobre a serpente.

É muito comum que nessa época várias igrejas preguem sermões sobre o natal, e os textos usados para isso são muitas vezes clássicos, como por exemplo: “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz” (Isaias 9.6), ou mesmo o relato do aparecimento do anjo Gabriel a Maria, em Lucas 1.26-38, enfim, esses e outros texto que enfatizam a promessa da vinda do Messias, e principalmente seu nascimento, recheiam os sermões em nossas igrejas e os posts nas redes sociais. Porém há algo muito mais salutar no natal.

As promessas feitas no antigo testamento que apontam para a chegada do Messias tem um caráter peculiar. Essas predições não apontam para uma fantástica aparição daquele que viria em nome do SENHOR, como sendo um ato de pompa ou de alegria (por parte de todos (todos aqui significa todo o mundo)).

A iminência da vinda do Messias está diretamente ligada a queda. A primeira menção a vinda do Filho de Deus está registrada em Gênesis 3.15, e diferente do que muitos possam achar, esta promessa conecta-se com o natal de forma direta.

O enviado do SENHOR virá para aniquilar a rebeldia da serpente e sua semente, que em determinado momento, se envolveu em uma campanha cósmica para derrubar o Senhor do mundo, tirar de Deus Pai aquilo que, por direito, pertence somente a Ele. Satanás e sua semente estão em guerra contra Deus e seus filhos (Ef 6.12; I Jo 3.9-15).[1]

A corrupção da Criação alterou profundamente a ordem na qual o universo fora estabelecido. Agora o homem, que fora criado para ser representante de Deus na terra, que fora criado para “glorificar a Deus e alegrar-se nele para sempre”[2], tornou-se inimigo do Soberano, rebelde a Sua palavra, contrário aos Seus princípios. Ou seja, o homem, caiu em desgraça, se afastando completamente de Deus.

Não obstante a vergonha, o desespero, e a dor já serem grandes, ao ouvir a voz do SENHOR ressoar no jardim, o homem esconde-se e, atinando para o fato de que estava nu (fato que antes parecia não ser problema), Adão põe-se a coser vestes para si. Queremos chamar atenção para esse fato, pois aponta para uma verdade muito profunda.

Adão buscou a resolução daquela situação por conta própria, mas fez isso já motivado por uma consciência pecaminosa: “Então foram abertos os olhos de ambos, e conheceram que estavam nus; e coseram folhas de figueira, e fizeram para si aventais” (Gênesis 3:7). Porém, esta atitude de Adão era inútil diante da gravidade do problema, as pobres e superficiais roupas que fizeram para si, não poderiam cobrir a injustiça nem a transgressão em que caíram. Não havia solução, exceto se o próprio Deus intervisse na situação, como o fez, e também esta atitude de Deus para com o homem caído, prefigurava o que de fato haveria de acontecer para que a humanidade (eleita) fosse reestabelecida em comunhão com Deus: um cordeiro foi morto, para que usando sua pele, a iniquidade do homem fosse coberta. Um inocente, em sua justiça, deveria remediar a situação de pecadores e culpados.

Na promessa (Gn 3.15), a guerra é prometida, mas a vitória também é decretada: O Messias triunfaria sobre a serpente. A partir daqui todas as menções sobre o enviado do Senhor, o Filho da promessa, o Rei davídico, o Profeta a quem o povo ouvirá, trazem consigo uma mensagem de restauração para o povo, e aniquilação para os inimigos.

Quando lemos o evangelho de João, vemos uma afirmação que aponta para o cumprimento dessa promessa: “E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” João 1:14. A encarnação do verbo, aponta para a vinda do Filho de Deus como um homem, nascido de uma virgem, mas também para uma outra realidade. O mesmo “logos” é registrado nas Escrituras como sendo aquele agente da ação criadora: “Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez” João 1:3. Ou seja, ao descrever a encarnação de Cristo denominando-a como a “encarnação do verbo”, João está apontando para o ato da Palavra de Deus. Sua sentença aponta não somente para um fato, mas para uma ação no fato. O cumprimento da promessa do antigo testamento, inclui não somente o fato da vinda, mas que este ato incorpora em si a ação restauradora mencionada em Gênesis 3.15, consumada com a morte e ressurreição de Cristo Jesus.

O natal aponta para um fato: O mundo não pode salvar a si mesmo. Essa é a mensagem do natal (Timothy Keller). A encarnação de Cristo é um ato de salvação. O Filho de Deus veio ao mundo em carne, e sua vinda expõe nossa fragilidade. Bem como ocorreu com Adão, o homem não pode salvar a si mesmo. Nada havia nesse mundo pudesse propiciar nossos pecados, que pudesse livrar-nos da ira divina.

A encarnação do verbo era necessária, pois, tal como Adão era um homem que representava a humanidade, e a “derrubou” em seu pecado, Cristo veio como representante do povo escolhido de Deus e o salvou, conforme Romanos 5.17-19: “Porque, se pela ofensa de um só, a morte reinou por esse, muito mais os que recebem a abundância da graça, e do dom da justiça, reinarão em vida por um só, Jesus Cristo. Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida. Porque, como pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores, assim pela obediência de um muitos serão feitos justos”. Um homem, que exercesse o ofício profético, anunciando ao mundo as palavras de Deus o Pai. Um homem, que oferecesse sacrifício perfeito como sacerdote: “Portanto, visto que temos um grande sumo sacerdote que adentrou os céus, Jesus, o Filho de Deus, apeguemo-nos com toda a firmeza à fé que professamos, pois não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas, mas sim alguém que, como nós, passou por todo tipo de tentação, porém, sem pecado” Hebreus 4. 14-15. Um homem que reinasse no trono de Davi, e governasse para sempre: “Ele será grande e será chamado Filho do Altíssimo. O Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi” Lucas 1:32.

Nosso natal não é comemorado com ceias fartas ou com festas exuberantes. Nosso natal não é festejado com presentes ou luzes. Nosso natal é prestigiado quando nosso coração se curva ante o trono de Deus reconhecendo sua intervenção maravilhosa: o envio de seu próprio Filho ao mundo, para que por sua vida, muitos fossem vivificados. O natal encerra uma verdade grandiosa e poderosa, pois o nascimento de Cristo é a mensagem do evangelho encenada: Um menino nasce, e sobre seus ombros carregará o fardo de todo um povo. Um menino nasce, e sua vinda é o brado de vitória, pois aquele acerca de quem falaram os profetas é chegado, a apoteose da história da redenção é finalmente vinda, Ele veio para nos resgatar. O menino-pastor veio para recolher para seu Pai suas ovelhas, para arrebanhar-nos para si. O Pão do céu veio para alimentar as almas famintas de seus filhos. Esta é a mensagem do natal: o pecador não pode salvar a si mesmo, mas aquele que pode veio a este mundo e garantiu que nEle a salvação é certa.

Cristo triunfa!

[1] HAMILTON, James M. â?" O que é teologia bíblia? : um guia para a história, o simbolismo e os modelos da Bíblia / James Hamilton Jr. â?" São José dos Campos, SP : Fiel, 2016, p. 35.

[2] O Breve Catecismo / Assembleia de Westminster (1643 a 1652) â?" 2 ed. â?" São Paulo: Cultura Cristã, 2009., p. 7.

Fonte: GospelPrime

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