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16 de fevereiro de 2018 às 16:23

Lição 7 ? Jesus ? Sumo Sacerdote de uma Ordem Superior

Subsídio para a Escola Bíblica Dominical da Lição 7 do trimestre sobre "A supremacia de Cristo"

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INTRODUÇÃO

A carta aos Hebreus apresenta-nos o rei-sacerdote Melquisedeque como um tipo de Cristo, com o objetivo de demonstrar a grandeza do sacerdócio de Cristo, acima do sacerdócio levítico. Mas antes de explicarmos isso, vale a pergunta, especialmente para quem está menos habituado com esses termos teológicos: o que é um tipo? O exegeta pentecostal Esdras Bentho dá um conceito que nos será suficiente ao nosso estudo dominical: “Literalmente o termo [tipo ou typos, no grego] significa uma marca visível deixada por algum objeto (…). A ideia comum em todos os casos é a de alguma coisa que se assemelha ou corresponde a outra (…) representação de coisa futura; representar antecipadamente” (1).

O apóstolo Paulo, bem como os demais autores do Novo Testamento, acreditava nos tipos apresentados no Antigo Testamento, especialmente quando ele diz: “Ora, tudo isto lhes sobreveio como figuras [gr. typon], e estão escritas para aviso nosso, para quem já são chegados os fins dos séculos” (1Co 10.11). O autor da carta aos Hebreus também trabalha exaustivamente com tipos: “Porque tendo a lei a sombra dos bens futuros, e não a imagem exata das coisas, nunca, pelos mesmos sacrifícios que continuamente se oferecem cada ano, pode aperfeiçoar os que a eles se chegam” (Hb 10.1).

Embora encontremos no Antigo Testamento figuras ou sombras dos crentes coletivamente, do Reino espiritual, dos elementos que viriam a constituir o culto cristão e até mesmo da realidade celestial futura, como bem destaca Ada Habershon, em seu estudo Manual de tipologia bíblica, “Aquele que é prefigurado nos tipos não é um mero homem, mas é Iavé Deus â?" o Grande Eu Sou” (2). Nas palavras de nosso Senhor Jesus, “as Escrituras (…) são elas que testificam de mim” (Jo 5.39). Cristo é o grande antítipo (3) da maioria dos tipos descritos no Antigo Testamento, isto é, ele é a realidade, o cumprimento e o fim das figuras e símbolos registrados nos dias dos patriarcas e dos profetas. Sem dúvidas, Melquisedeque foi um tipo de Cristo, e embora tão pouco se tenha falado dele (em apenas duas referências do AT â?" Gn 14 e Sl 110), deixa-nos lições preciosas que o autor da Carta aos Hebreus, sob iluminação e inspiração do Espírito Santo capta e registra para nossa edificação.

MELQUISEDEQUE, UM TIPO DE CRISTO

Esdras Bentho apresenta-nos pelo menos cinco características de um tipo legítimo (4). Apresentamos resumidamente abaixo por acreditar que será útil ao estudo da presente lição, bem como de toda a carta aos Hebreus:

a) Tanto tipo [que prefigura] como antítipo [que é prefigurado] são realidades históricas que se correspondem.

Por esta característica do tipo e do antítipo podemos aceitar sem objeções que Melquisedeque foi um personagem tão real quanto Cristo o é! Portanto, não devemos aceitar a teoria de que Melquisedeque seja um personagem fictício, já que ele precisa representar antecipadamente um personagem real, que é o nosso Senhor Jesus. O episódio em que Melquisedeque é citado pela primeira vez, dando pão e vinho a Abrão, recebendo dele o dízimo e o abençoando, é tratado com literalidade em Gênesis 14.18-20; o autor de Hebreus, único a citar Melquisedeque no Novo Testamento, lida com aquele episódio como um episódio histórico. Assim devemos fazer o mesmo. Quando a Bíblia diz “sem pai, sem mãe, sem genealogia, não tendo princípio de dias nem fim de vida” (Hb 7.3), isto não implica em que Melquisedeque tenha sido um anjo, uma manifestação teofânica ou um homem criado como Adão e que não provou a morte. Antes, significa tão-somente que não há quaisquer registros dessas informações, e que tal silêncio bíblico atende bem ao propósito de mostrar que também Cristo, enquanto Sumo Sacerdote, não obedece a uma linhagem humana (embora, como Filho do homem, ele tenha linhagem humana, e tal linhagem é ressaltada quando queremos defender a humanidade perfeita de Jesus).

b) Entre o tipo e o antítipo deve haver algum ponto importante de analogia

O autor da carta aos Hebreus se encarrega de trazer-nos, desde o quinto capítulo, mas especialmente no sétimo, a analogia, ou seja, similaridade entre Melquisedeque e Cristo. Vejamos algumas delas abaixo:

c) O tipo sempre apresenta um caráter preditivo e descritivo

Vemos esta característica em Melquisedeque, cujo sacerdócio “predizia” uma nova ordem sacerdotal a ser estabelecida por Deus em Cristo, que não seria temporal nem imperfeita como a que veio a ser estabelecida nos descendentes de Levi, começando por Arão e seus filhos. O único texto no Antigo Testamento que confira este caráter profético e tipológico do sacerdócio de Melquisedeque é Salmos 110.4: “Jurou o Senhor, e não se arrependerá: tu és um sacerdote eterno, segundo a ordem de Melquisedeque”. O autor de Hebreus faz reiterada menção desse texto profético dos Salmos (Hb 5.6; 6.20; 7.17,21), confirmando ser este um Salmo messiânico, onde o Pai (“Disse o SENHOR…”) está declarando sobre o Filho (“…a meu Senhor”): “tu és um sacerdote eterno, segundo a ordem de Melquisedeque”. Melquisedeque, portanto, não é uma manifestação cristofânica (ou seja, Cristo pré-encarnado), até porque Cristo não poderia ser rei antes da cruz e da ressurreição, quando Deus “lhe deu um nome que está acima de todo nome” (Fp 2.9; Mt 28.18)! Milhões e milhões de santos declaram a dignidade de Cristo para o reino, o poder e a majestade, porque ele sofreu a morte: “Digno é o Cordeiro, que foi morto, de receber o poder, e riquezas, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e ações de graças” (Ap 5.12). Portanto, Melquisedeque não é Jesus, mas tem um caráter que aponta para Jesus que viria muito depois dele.

d) O tipo é determinado pelo próprio Deus

Não “achamos” que Melquisedeque é um personagem que prefigura Cristo. Temos certeza disso! A Palavra, que é inerrante e infalível, nos confirma isso, especialmente numa combinação do Salmo 110 com os capítulos 5 a 7 de Hebreus. Nas palavras do salmista, é Deus, não um profeta, um sacerdote ou um escriba quem toma Melquisedeque como tipo do Messias: “Jurou o Senhor, e não se arrependerá: tu és um sacerdote eterno, segundo a ordem de Melquisedeque” (Sl 110.4). Portanto, como bem enfatiza Esdras Bentho, “o tipo não é fantasia humana; ao contrário, responde ao programa da revelação estabelecida por Deus desde o princípio, com visão global de toda história da salvação”

e) Um verdadeiro tipo apresenta bases neotestamentárias

Para a pergunta “como sabermos que Deus através de um ato, personagem ou coisa prefigure outra personagem, acontecimento ou fato real?”, Esdras Bentho responde: “Sem qualquer dúvida, o Novo Testamento deve ser o parâmetro para filtrar qualquer tipo”. Segundo este teólogo, “a Epístola aos Hebreus cuja metodologia hermenêutica é o uso da tipologia”. De fato, mais que estabelecer comparações entre personagens ou elementos da religião judaica, o autor de Hebreus percebe que há uma exata correspondência entre “aquilo” e “isto”, ou “aqueles” e “este”, ou entre as figuras do Antigo Testamento e a pessoa de Jesus Cristo. O que temos percebido desde o início do trimestre, quando estudamos os primeiros capítulos de Hebreus. Assim, para que tenhamos absoluta certeza de estarmos lidando com um tipo verdadeiro (chamado de tipo inato, para contrastar com o tipo inferido, que não tem explícita menção neotestamentária como tal), devemos nos perguntar: Jesus, os apóstolos e autores do Novo Testamento lidaram com esta pessoa ou coisa como uma figura de Cristo? No caso de Melquisedeque, isto está claro como a luz do sol ao meio dia sem nuvens!

LIÇÕES PRÁTICAS DESTE ESTUDO

Agora, porque o autor de Hebreus estabelece este estudo tipológico envolvendo Melquisedeque e Jesus, nos capítulos 5 a 7 de sua carta? Por um mero exercício intelectual? Para sobejar teologia, sem finalidade prática? Certamente que não. Mais que ortodoxo (crença correta), o autor pretende levar seus leitores à ortopatia (sentimento correto) e à ortopraxia (práticas corretas). Vejamos:

Em Cristo temos a supremacia de tudo, a realidade do que era apenas sombra nos dias dos patriarcas e profetas! Temos a água mudada em vinho, temos o véu rasgado, temos o último cordeiro, não mais dos judeus, mas de Deus, e que tira o pecado do mundo! Em Cristo temos não um sacerdote pecador que precisa fazer expiação por sua própria culpa regularmente, mas um sumo sacerdote “perfeito para sempre” (Hb 7.28)! Enquanto os judeus sentem-se tentados à voltar atrás, o autor de Hebreus com euforia fala de Cristo: “É de um sumo sacerdote como este que precisávamos: santo, inculpável, puro, separado dos pecadores, exaltado acima dos céus” (Hb 7.26, NVI).

CONCLUSÃO

Jesus é tudo o que precisamos! Jesus é tudo o que temos. A antiga aliança cessou, e os que quiserem voltar a ela nem a encontrarão, nem encontrarão expiação para sua culpa. Ficarão a vagar sem qualquer luz! Como seria impossível aos servos de Caná da Galiléia reverterem o milagre de Cristo na transformação da água em vinho, assim seria impossível aos crentes judeus reverterem a Graça em Lei e costurarem o véu que o Pai, de alto a baixo, já havia rasgado! (Mc 15.38)

Solus Christus!

Sola Gratia!

REFERÊNCIAS

Fonte: GospelPrime

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