27 de fevereiro de 2018 às 13:47

Lideranças cristãs em Jerusalém não querem "dar a Cesar o que é de César"

Responsáveis pela Basílica do Santo Sepulcro resolveram "protestar" com o fechamento da basílica.

Mais uma vez, Jerusalém volta a ser manchete nos jornais em todo mundo. Dessa vez, não é por causa da acertada decisão de Donald Trump ao reconhecer o local da milenar tradição judaica como capital de Israel[1].  A atenção da mídia surgiu por “obra e graça” das lideranças cristãs responsáveis pela Basílica do Santo Sepulcro, as quais resolveram “protestar” com o fechamento da basílica contra a decisão do prefeito de cobrar impostos atrasados de prédios da igreja utilizados com finalidade comercial e também contra um projeto de lei do knesset (parlamento) que supostamente restringiria a venda de terras cristãs.

Nesse artigo, não esmiuçarei o projeto de lei ferrenhamente criticado por ter conhecimento que haverá discussão nos próximos dias acerca de sua viabilidade com as partes envolvidas. Segundo a imprensa, Israel poderia se apropriar de terras vendidas pela igreja desde o início do século para compradores anônimos, uma vez que as referidas vendas estariam ferindo o direito dos arrendatários dessas terras. A autora do projeto, Rachel Azaria, informa que sua principal função é levar os novos proprietários à mesa de negociação[2], enfatizando que “a lei destina-se a fornecer uma resposta aos milhares de moradores de Jerusalém e outras cidades que uma manhã acordaram e descobriram que os apartamentos que compraram estão localizados em terra vendida a um comprador desconhecido”. Não permitiremos que particulares ou estrangeiros comprem grandes extensões de terra na capital de Israel”, disse ela[3].

Na realidade, a questão ainda está nebulosa e requer acompanhamento para posicionamento estribado sobre a alegada injustiça que o projeto poderia proporcionar às igrejas. Logo, por cautela, prefiro aguardar o desenrolar dos fatos em razão da dificuldade de ter acesso ao texto original do projeto.

Em que pese haver indício de posição controversa por parte do Estado israelense em relação ao direito de propriedade, caso a lei seja aprovada – o que deve ser investigado com o acompanhamento das discussões que serão travadas – o mesmo não acontece no tocante à “indignação eclesiástica” contra o pagamento de impostos de imóveis não utilizados para fins de culto. Em total desrespeito às suas “ovelhas” que pretendem fazer procissão à igreja localizada na Cidade Velha de Jerusalém em período que antecede à Páscoa, os líderes das igrejas greco-ortodoxa, armênia e católica decidiram arbitrariamente manter por tempo indeterminado as portas fechadas da basílica, considerada símbolo sagrado do Cristianismo em virtude da tradição reputar o lugar como local de crucificação, sepultamento e ressurreição de Jesus.

Os líderes religiosos alegam que Israel estaria fazendo uma campanha contra cristãos “que chegou recentemente  a um nível sem precedentes, com as escandalosas ordens da prefeitura de sequestrar bens das igrejas, propriedades e contas bancárias, de modo a fazer frente a impostos municipais punitivos”.

Com  todo respeito, exigir o pagamento de impostos dos prédios que são utilizados pela igreja com finalidade comercial, tais como hotéis e lojas, deve ser configurado como “imposto punitivo”? Como se sabe, ou deveria se saber, EM ISRAEL OS PRÉDIOS UTILIZADOS PARA CULTOS RELIGIOSOS SÃO ISENTOS DE PAGAMENTO DE TRIBUTO, e apesar de alguns sites católicos promoverem fake news noticiando que a prefeitura de Jerusalém está cobrando aumento exorbitante de imposto, a realidade demonstra que está havendo apenas a exigência do pagamento de impostos atrasados que a igreja se recusa a pagar, esquecendo da ordenança do seu Fundador ao dizer “dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”, justamente no momento em que foi indagado “É lícito pagar o tributo a César, ou não”[4]?

Talvez, por questão de foco na história relativamente recente, a igreja prefira se submeter à sharia (lei islâmica) ao invés de atender aos princípios costumeiramente adotados no sistema tributário pelo moderno Estado de direito. Daí, a decisão dos patriarcados ortodoxos e da igreja católica entregarem a chave da Basílica do Santo Sepulcro a um muçulmano em “devoção” à submissão apregoada pela seita religiosa islâmica. Wadi al-Housseini, guardião das chaves do Santo Sepulcro, abre e fecha as portas da igreja diariamente, e também fez questão de divulgar fake news, que no mundo muçulmano é conhecida como taqiyya (obrigação de todo muçulmano mentir para infiéis a fim de expandir o Islã).

Tal qual parte dos fiéis católicos “ultrajados” com a notícia da igreja ser obrigada a pagar impostos quando exerce atividades lucrativas que em nada se relacionam com o culto cristão, Housseni afirmou – com a má-fé digna de um “bom guardião muçulmano das chaves da igreja caloteira” – que a prefeitura “está pedindo às igrejas que paguem muito dinheiro em impostos[5]”, salientando ainda,  que “isso nunca aconteceu no período Otomano, no mandato britânico ou no jordaniano”.

Ora, conforme já relatado acima, não se trata de aumento de impostos e sim, de cobrança de impostos atrasados em “prédios comerciais” de propriedade da igreja. E realmente, o muçulmano tem razão quando afirma com “autoridade” que isso nunca aconteceu no período otomano”, onde os turcos otomanos que representavam o califado islâmico, por mais de 600 anos invadiram e islamizaram à força através da jihad (guerra) terras outrora cristãs em cinco continentes. Nunca aconteceu durante a existência do Império Otomano a possibilidade de cristãos e judeus serem tratados de forma igualitária com os muçulmanos que se submetiam ao Islã.

O “guardador das chaves da igreja” não informou que cristãos e judeus eram contemplados com o “direito à dhimitude”, que é nada mais que a subjugação dos mesmos à obrigação de pagar a JIZYAH, espécie de imposto ou taxa pela “pseudo-proteção religiosa”, e que na prática significa um procedimento de humilhação direcionado a grupos que não se convertiam à “religião da paz”.

A condição de dhimmi (cidadão de segunda classe), está prevista no Livro Sagrado do Islã (Corão), especificamente Sura 9:29: Combatei aqueles que não crêem em  Deus e no Dia do Juízo Final, nem abstém do que Deus e Seu Mensageiro poibiram, e nem professam a verdadeira religião daqueles que receberam o Livro, até que, submissos, paguem o Jizya[6].”(Fonte: Instituto Brasileiro de Estudos Islâmicos).

Aliás, não há muito que se falar sobre a “tributação de templos” no período otomano, uma vez que naquela época, os cristãos e judeus “agraciados com a condição sub-humana de dhimmis” não podiam se reunir nas ruas e nem mesmo construir suas igrejas e sinagogas, podendo apenas reconstruir os templos antigos pré-islâmicos. A dhimmitude inspirou até mesmo o perverso genocida Hitler que copiou desse “piedoso legado muçulmano” a ideia de identificação das vestes de judeus determinadas pelas autoridades islâmicas[7].

Dessa forma, vale ressaltar que a famosa “tolerância” da sociedade muçulmana otomana era válida desde que se pagasse o devido imposto para “proteção” numa “benevolente cerimônia pública” onde o dhimmi judeu ou cristão tomava uma pancada na cabeça ou na base do pescoço, o que, de certo modo, seria melhor do que ter as cabeças cortadas por cimitarras, não é verdade?

Creio que falta aos furiosos líderes cristãos enterrados no nada santo “sepulcro da ignorância” um pouco de conhecimento elementar de História para impedir a aberração de entregar chaves da venerada igreja para um muçulmano perpetrador de taqiyya e seria de muito proveito ouvir um dos poucos, senão único, bom conselho do Papa Francisco que num discurso criticando o capitalismo, combateu a sonegação de impostos e evasão de divisas, ponderando que estes crimes “negam a lei fundamental da vida: o socorro recíproco[8]”.

Lamentavelmente, as lideranças ortodoxas e católica não andam muito preocupadas em “acumular tesouro no céu[9]” e sim, na “terra pecaminosa” às custas dos sofridos contribuintes de Jerusalém, que devem arcar com as despesas necessárias para a mantença da coletividade. “Santa ganância”!

[1] https://artigos.gospelprime.com.br/eua-e-jerusalem-vem-guerra-por-ai/
[2] http://aurora-israel.co.il/las-iglesias-de-jerusalen-cierran-el-santo-sepulcro-en-protesta-para-no-pagar-impuestos/
[3] https://www.timesofisrael.com/ministers-said-set-to-approve-bill-for-appropriating-lands-in-church-deals/
[4] https://www.bibliaonline.com.br/acf/mt/22
[5] http://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2018-02/igrejas-cristas-fecham-santo-sepulcro-em-protesto-contra-impostos
[6] http://www.ibeipr.com.br/ibei.php?path=alcorao/attaubah
[7] https://www.institutomillenium.org.br/artigos/dhimmi-voce-podera-ser-um/
[8] https://www.dm.com.br/politica/2017/12/imunidade-tributaria-das-igrejas.html
[9] https://www.bibliaonline.com.br/nvi/mt/6

Fonte: GospelPrime

comentários

Estúdio Ao Vivo