08 de dezembro de 2017 às 18:24

Senhor sobre a morte, Deus de vivos

A autoridade e o poder sobre a morte estão nas mãos de Jesus, e nós somos chamado a confiar nisto.

Supõe-se que o evangelho de Marcos pode ter sido um dos primeiros evangelhos a serem escritos, e foi endereçado a igreja de Roma, para evangelizar e ensinar os cristãos. A autoria do evangelho é atribuída a João Marcos, o filho de uma mulher chamada Maria, para casa de quem Pedro teria ido, após ser libertado da prisão, sendo ele também companheiro de Barnabé e Paulo em sua primeira viagem missionária, conforme Atos 13-15.

O contexto em que o evangelho é escrito é de extrema perseguição. Nero assolava os cristãos com toda a sorte de afrontas e perseguia os cristãos duramente. Alguns historiadores comentam que nesse período, houve uma forte crise na cidade de Roma que afetou diretamente a comunidade cristã local. Provavelmente essa crise foi causada pelo incêndio provocado pelo imperador Nero, que usou o mesmo como pretexto para intensificar ainda mais a retaliação contra a religião cristã.        Nesse período de forte turbulência o evangelho de Marcos é escrito, como sendo uma coletânea acurada dos relatos contados pelo apóstolo Pedro, de quem era assistente, e sua ênfase na paixão de Cristo (seu sofrimento e morte), demonstra um forte empenho em demonstrar Jesus como um exemplo a ser seguido.

A narrativa do texto em destaque é uma sequência de dois milagres anteriormente destacados por Marcos, que se inicia com Cristo acalmando a tempestade, passando pela libertação de um endemoniado até chegar neste texto. É muito comum perceber que na maioria das vezes, os fatos contidos nesse relato são analisados separadamente, no entanto, ambos fazem parte de uma mesma narrativa, e a interposição de uma história sobre a outra, é usada pelo autor para sustentar a ênfase do livro.

Como dissemos, a narrativa inicia-se logo após Cristo ter demonstrado sua autoridade sobre os demônios, libertando um geraseno do domínio destes, e após o povo daquela cidade ter pedido para que Cristo saísse da mesma. Tendo ido embora, chegando a outra margem, do mesmo modo como acontecera quando aportara em Gerasa, uma multidão se formou ao redor de Cristo, porém o fato que chama atenção é que nesse momento, enquanto as pessoas se aglomeravam, um homem chamado Jairo, chefe ou dirigente da sinagoga local, vence a multidão, se ajoelha e adora Jesus. Ele suplica que Cristo vá até sua casa, pois sua filha, até então, estava muito doente, às portas da morte. De pronto, Jesus o segue. Nesse momento, a narrativa é interrompida por uma outra, que literalmente bloqueia o seguimento da primeira.

O escrito narra que uma mulher surge no cenário (aparentemente do nada), e o autor começa a detalhar a situação da mesma. Ela sofria de fluxo de sangue a doze anos. Esta não era uma doença comum, principalmente levando em consideração os personagens envolvidos na narrativa.

Em levítico 15, acerca das leis que advertiam o povo a respeito das impurezas decorrentes do homem e da mulher, no caso de um fluxo de sangue contínuo, a mulher deveria ser considerada impura, do mesmo modo que o era quando em seu período normal. Todo um ritual é prescrito visando a purificação, tanto da mulher, quanto de todos os objetos pertencentes a ela e com a qual teve contato. Uma das ordenanças é que um período de 7 dias deveria ser observado, ou seja, ela não poderia ter contato com qualquer pessoa, sob o risco de esta também ser considerada impura, e tampouco com algum objeto enquanto o fluxo perdurasse.

Marcos descreve que a mulher sofria com esse fluxo a doze anos. A doze anos ela observa todos os requisitos da lei. A doze anos, tudo o que ela toca é tido como impuro.  A doze anos, a relação dela com qualquer outra pessoa é restringido a fala e nada mais, pois como dito, quem ela toca também se torna impuro.

O que nos chama a atenção no texto é que a intenção dessa mulher é justamente tocar em Cristo. A lei a proibia disso, mas a fé daquela mulher é que Cristo Jesus a poderia tornar pura. Ela havia gastado todos os seus recursos na tentativa de se livrar daquele mal, mas, sem sucesso, o evangelista afirma que ela piorou.

O contraste se dá agora, quando percebemos que uma mulher com fluxo de sangue, considerada impura pela Lei, interrompe o socorro que Cristo estava prestando a um chefe da sinagoga, conhecedor da mesma Lei.

Em determinado momento, essa mulher, rompe a multidão e toca em Jesus Cristo. Este, imediatamente, para e constata que alguém lhe havia tocado de forma diferente.

Percebamos agora o drama na vida de Jairo. Sua filha está terrivelmente doente, quase morrendo. Ele desesperadamente, ao ouvir que Cristo está na beira da praia, sai ao seu encontro e lança-se aos seus pés. Clama por socorro. Em meio a uma imensa multidão, consegue a atenção do mestre, que sai em seu auxílio. No mínimo, ele tem a certeza de que será atendido; há então esperança para sua filha. Entretanto, de repente, Cristo para no meio do caminho para atender uma outra pessoa. Qual seria sua reação? Num momento de profunda crise, suas esperanças são intensamente renovadas, pois você vê a solução indo ao seu encontro, mas logo em seguida, ela para no meio do caminho.

Não obstante, a situação se agrava. Tendo percebido que havia realizado um milagre por intermédio do toque de alguém, Cristo procura no meio da multidão, quem lhe tocara. A mulher então se revela e narra sua história. Muito provavelmente, Jairo estava perto de Cristo quando a mulher lhe conta como vinha sofrendo com aquele mal, e como Jesus a tinha curado e aliviado sua dor que sentia a doze longos anos. Perceba, O chefe da sinagoga, homem conhecedor da Lei, vê que seu socorro foi interrompido por uma mulher impura. Uma pessoa que não poderia tocar em nada, tocou naquele que poderia curar sua filha.

O SENHOR Jesus, finalmente trouxe alívio para a vida daquela mulher. Sofrendo com aquele fluxo, estigmatizada pela sociedade, ela é finalmente liberta daquele mal, tendo confiado que Cristo tinha poder sobre qualquer enfermidade, vai até as últimas consequências, e crendo, é curada. Por outro lado, Jairo ainda aguarda.

Depois de ter despedido a mulher, funcionários da casa de Jairo, trazem-lhe a má notícia: “sua filha morreu! já não há mais nada que possa ser feito”.

O que dizer diante disso? O que fazer contra algo tão determinante e poderoso como a morte? A sentença decretada no Éden ecoou até Jairo e alcançou sua filha. As esperanças depois de minguarem ante a interrupção do episódio da cura da mulher, finalmente pareciam fenecer, porém mesmo diante de tudo isso, Cristo ignora a notícia e dá uma ordem a Jairo: “continue crendo!”.

A palavra de Jesus para Jairo é muito direta e contundente. A situação com certeza não alterou em nada a intenção do Mestre em socorrer a filha de Jairo, e seu pensamento é claro e assertivo quanto a como Jairo deveria se portar naquele momento tão difícil de sua vida: ele deveria permanecer crendo que Cristo tinha total controle sobre a situação. As circunstâncias não frustraram os planos de Jesus. Ele não foi pego de surpresa como Jairo o foi ao receber a notícia, mas como é perceptível no versículo 39, após ter ido a casa de Jairo, chegando lá, vendo toda comoção, prantos e lamentos, Jesus Cristo demonstra seu controle sobre a morte, reduzindo o problema a algo que pode ser rapidamente resolvido: “a menina não morreu, mas dorme”.

Depois de ter tirado os incrédulos do recinto, levando apenas seus mais íntimos discípulos juntamente com os pais da criança para o lugar onde ela estava, Cristo emite uma ordem muito simples: “Menina, levante-se!”.

Ele ressuscitou a menina, trouxe-a de volta dos mortos. A fé de Jairo de que Cristo Jesus poderia salvar sua filha, viu o desfecho da história. O ungido do SENHOR, interviu e a salvou.

A ressurreição da filha de Jairo não é um milagre apenas, é o escopo da obra salvadora de Cristo, o arquétipo ou a representação de como ocorre a obra salvadora de Cristo.

Fora prometido no antigo testamento, que um descendente da mulher feriria a cabeça da serpente e a venceria. Mas também fora prometido que esse redentor, livraria seu povo de todos os seus inimigos, incluindo a morte.

A tônica do evangelho de Marcos, está baseada em dois pilares chaves: A autoridade de Cristo e o cumprimento do objetivo de seu primeiro advento, realizando a obra redentora. O que notamos agora, nesse texto, é um exemplo disso. Jesus Cristo salva a filha de Jairo da morte. Em Marcos 10:45, Cristo assevera: “Porque o Filho do homem também não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos”, e foi exatamente o que aconteceu com a filha de Jairo, o Filho do Homem, interviu naquela situação, resgatando a menina da morte.

Da mesma forma que Cristo foi o centro da salvação na vida da filha de Jairo, ele é o centro do nosso resgate quando nos livra da morte, quando morreu na cruz para nos perdoar os pecados. Na morte, ele cumpriu a promessa, na sua ressurreição, ele triunfou sobre os inimigos e nos chamou para si.

Poderíamos tentar observar vários desafios que o texto nos encorajaria a praticar, mas o evangelista tem apenas uma única intenção em narrar esse fato: declarar a autoridade e o poder de Cristo Jesus sobre a morte.

Na narrativa, vemos que em momento algum as circunstâncias tiraram Cristo do seu propósito, mesmo quando tudo parecia perdido e sem jeito, o SENHOR Jesus assevera sua autoridade, e isso nos leva a pensar sobre como as coisas que acontecem em nossa vida, muitas vezes nos fazem perder a confiança em Cristo, e não porque elas se mostram impossíveis, mas simplesmente porque queremos que a intervenção divina aconteça quando nós bem desejamos. Observe o intervalo entre o clamor de Jairo a Cristo ainda na praia do mar da Galileia, até a cura de sua filha. No meio da história daquele homem, uma outra história se desenrola, e por causa do socorro que não chega a tempo sua filha morre. Mas, qual é a resposta de Cristo a Jairo? Continue crendo.

A autoridade e o poder sobre a morte estão nas mãos de Jesus, e nós somos chamado a confiar nisto.

Talvez o contexto de salvação da morte pareça não se aplicar a nós hoje, afinal de contas, neste exato momento, parado na frente do computador ou smartphone, você não está correndo risco de morte ou está?  Mas me deixe lembra-lo de que você estava morto, como diz o apóstolo Paulo em Efésios 2, que era uma múmia enterrada na cova do pecado. Condenado e perdido, sua situação era de completa e profunda morte espiritual. Mas em determinado momento de sua vida, a graça de Deus Pai, por meio de Cristo Jesus seu filho, através do poder do Espírito Santo, agiu na sua vida, e você ouviu uma voz dizendo: “Thalita, Kumi!” (menina, levanta!).

Você foi trazido da morte, você foi libertado do poder da morte, porque Cristo tem poder sobre ela. Não reduza a graça de Deus na salvação da sua vida, a um atendimento de necessidades terrenas e passageiras. O maior dos inimigos foi vencido na cruz do calvário, e mesmo que um dia, momentaneamente, nós morramos, mesmo que a sentença do Éden nos alcance, ressuscitaremos para estar com Cristo para todo o sempre, onde a ordem de Cristo (levanta-te) será consumada.

Lembrar que Cristo tem poder sobre a morte é algo que devemos fazer todos os dias, pois o poder de Deus sobre a morte, nos livrou da morte eterna. Alimentemos o nosso coração com essa verdade, e sirvamos Àquele que domina a tudo e a todos, inclusive a morte, triunfando sobre ela, ressuscitando ao terceiro dia, para a glória de Deus.

Fonte: GospelPrime

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